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September 8, 2007
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The Curse of a Sleeping Beauty

by ~HikaCheshire

"Eu voltarei...", foram as últimas palavras que ela ouvira dele. Seu amado.Estava partindo, sem certeza de retorno...E ainda dizia aquelas palavras, como se fossem verdade...

  Ela o assistiu partir da floresta próxima ao seu lar.Qualquer pessoa que entrasse na sua vida saía logo, e nunca mais voltava. Esta era sua sina, seu destino, sua maldição que caíra sobre ela há mais de cem anos atrás.

  Seus pais, reis de um lugar fantástico, sonhavam em ter uma filha. Mas a pobre rainha não conseguia engravidar. Tentaram de tudo, sem sucesso.
   Com as chances de se ter um herdeiro diminuindo a cada dia que se passava. O rei começou a se afastar da rainha, descrente de que ela pudesse resolver este problema. A mulher desesperada começou a pedir para todos os deuses e demônios para que pudessem atender ao seu desejo, antes que o marido a abandonasse e ela caísse na desgraça.
  Dias passaram, depois semanas, meses...E então anos... Nada de seus desejos se realizarem. O rei estava cada vez mais frio e frustrado com a esposa, e esta, à beira do desespero.

  Então, um dia, ela veio.

  Dizia ser uma fada, uma pessoa encantada, e que podia realizar qualquer desejo que lhe fosse concedido.
  Em segundos a rainha estava aos seus pés, lhe implorando para que conseguisse ter uma filha.

  A "fada" sorriu. Disse que era fácil, mas precisava de um pequeno preço. A rainha disse que ela podia pegar o que quiser, mas tudo que a mulher quis, foi um fio dos longos cabelos claros da soberana. Após isto, ela disse algumas palavras e desapareceu, alegando que o desejo fora realizado, mas que ela deveria manter segredo.

  Nove meses depois, o reino fora abençoado com uma linda menina. Seus pais não podiam estar mais felizes com aquilo.
  Constantemente o rei perguntava como sua esposa havia conseguido, agora que os dois haviam retomado seus laços. Mas ela dizia que dera sorte, que talvez antes não fora o momento certo.

  Uma grande festa fora organizada no dia do batizado da recém-nascida.Várias pessoas foram convidadas, o castelo ficou lotado. E todos queriam saber como a rainha conseguira finalmente engravidar.

  Extremamente feliz por estar finalmente comemorando o batizado da filha que tanto almejara, a rainha esqueceu-se completamente do que a "fada" lhe dissera, e acabou revelando que teve seu desejo realizado em troca de um fio de cabelo.

  Palavras erradas. Naquele exato momento, a mulher que realizara o pedido apareceu no centro do salão. Seu olhar, antes doce e compreensivo, estava brilhando de um estranho prazer.
  Então tudo ficou claro: A mulher estava longe de ser uma fada, ela era uma bruxa demoníaca, que se disfarçava para poder realizar os pedidos das pessoas mais desesperadas... Em troca de suas almas. Era aquilo que o fio de cabelo representava, uma prova irrefutável de que agora a alma da rainha pertencia à bruxa.

  Após esta revelação, a bruxa veio tomar o que era dela por direito: A alma da soberana.
  Mas antes que pudesse pegá-la, os guardas reais conseguiram impedí-la de realizar a troca e expulsá-la do castelo.
  Furiosa por ter seu trato rompido, a bruxa, antes de partir, apontou para a recém-nascida, e lançou-lhe uma maldição: Aos dezesseis anos ela espetaria o dedo em um fuso de fiar, e morreria, assim sua alma iria para as mãos da bruxa, em troca da alma da rainha.
  E assim ela desapareceu, causando pânico e desespero nos presentes. Bons magos que foram convidados tentaram amenizar a maldição, passando a morte para apenas um longo sono até ser desperta pelo beijo do amor verdadeiro.Isso não mudou muita coisa, na verdade, não mudou em nada.

  Seus pais ficaram loucos, mandaram queimar todas as rocas de fiar, todos os fusos, não a deixavam sair de casa, às vezes de seu próprio quarto.Se era vista tentando fugir, apanhava feio, e como castigo, ficava semanas enclausurada no calabouço, para aprender que sair era proibido.
  
  Mas, quem sofria mais?Obviamente era a princesinha, que tentava aproveitar sua vida como podia, apesar de nunca esconder o sofrimento. Ficava proibida de falar com qualquer pessoa, até mesmo com conhecidos, seus pais eram sua abertura para o mundo. Sua amizade era si mesma.

  Sua aparência não era as melhores. Tinha tudo para ser a mais linda criança do reino. Mas, não podia. Quem entrasse no quarto, se depararia com uma garota de longos cabelos dourados, pele extremamente branca, como a de um morto, pois nunca saiu ao sol, os olhos claros profundos e arregalados, como se vivesse em um choque constante.Eram os mais fortes sinais de que, em seu coração, nascia uma centelha...de loucura.



  Chovia muito, estava escuro, raios destruíam os céus... Era véspera de seu 16º aniversário. Seu pai, o rei, fechara todas as portas e janelas do castelo fortemente, e sua mãe a trancara no quarto, amarrando-a na cama, todo cuidado era pouco!Uma forte vigília fora montada, nada entrava ou saía de lá... Muito menos a princesinha.
  O grande relógio badalara, anunciando a Meia-Noite. A partir daquele momento, o dia do aniversário da garota começava, e junto dele, um inferno surgia.

  Ela pouco se lembra daquele momento. Estava atada em sua cama, quando uma sombra surgiu, "Não tenha medo...", sussurrava uma voz, misturada aos ecos dos raios, "Não tenha medo...”. Sentiu algo tocar em sua testa, e em questão de segundos, os laços que a prendiam à cama se esfarelaram, estava livre. Sentiu mais um toque em sua testa, um outro sussurro, desconhecido agora, mas que fizera a centelha de loucura aumentar ao máximo... Nada a prendia agora. Do resto, ela não lembra só de tudo ficar escuro, e depois, um clarão veio do nada, e sua mente se abriu ao normal novamente.

  Sangue... Era tudo que ela via. Pelas paredes, pelo chão, pelos móveis... Por tudo. Era aquele cheiro forte que ela sentia, era aquilo que ensopava suas roupas e sua pele, era sangue... De todos os habitantes daquele castelo. De sua própria família. Mas, a voz continuava a sussurrar para não ter medo. Talvez ela nem imaginasse que aquilo era sua maldição a consumindo. Encarou a enorme faca que possuía em mãos... Aquele era seu fuso, seu ódio sua roca, que se movimentava, aumentando sua insanidade a cada rodada... Um rápido movimento, uma leve picada no dedo, e a garota caía ao chão, adormecida.

  Cem anos se passaram sem que aquela lenda não fosse contada de geração a geração, sem que todos ficassem atônitos ao passar em frente ao castelo e sentir que algo realmente horrendo acontecera lá. Várias versões surgiram, contadas por ex-trabalhadores do castelo que escaparam anos antes de tudo acontecer. Mas apenas a garota que dormia lá dentro sabia da verdade.
  Então ele veio, era o único que não temia e queria conhecer a lenda a fundo, ouvira a história inteira de seus avós, e se aventurou ao adentrar no castelo, onde ninguém se atrevera a entrar depois daquele dia, disposto a encontrar a princesa.Viu os esqueletos, o sangue seco, cenas de um massacre.Mas, se esforçou para não se abalar, queria vê-la.
  Até que ele a encontrou, seu coração palpitou rapidamente, era amor à primeira vista. Só sabia que estava viva, pois seu corpo não havia decomposto, e respirava lentamente.
  Esperava que a história que lhe foi contada fosse real. Puxou a moça para perto de si, e observou aquelas feições por segundos, apesar de estar dormindo, e estar sereno, seu rosto demonstrava sofrimento, como se seus sonhos não fossem tão bons assim.
Inclinou-se até ficar bem próximo de sua face sentindo aquela respiração gélida tocar seu rosto, e a beijou. Foram apenas alguns segundos, até ele sentir a respiração da garota aumentar, e seus olhos se abrirem por completo. Estava salva.

Todos ficaram surpresos ao ver o rapaz aparecer em seu reino com aquela garota de estranhas feições, como se vivesse, ou tivesse vivido, em um pesadelo constante. Sua pele ainda era extremamente branca, e seus olhos já eram acostumados a ficarem arregalados daquele jeito. Mas, sua beleza era tanta, que aqueles detalhes só eram percebidos tempos depois. Falava pouco, tinha receio de desconhecidos, e estranhara muito quando saiu de seu castelo pela primeira vez. Por alguma estranha razão, aquele rapaz era o único "desconhecido" com quem ela conseguia falar e agir mais, talvez porque ele tenha sido seu salvador.
Estavam juntos agora, a princesa e seu herói, ela se sentia livre, e pela primeira vez, feliz. Mas, de repente, talvez a maldição ainda estivesse funcionando, ele teve que partir. Uma guerra começou bem longe dali, e ele precisava ir defender seu país.
E lá estava ela, encostada na enorme árvore onde costumavam ficar juntos por longas horas, agora sozinha, vendo-o desaparecer no horizonte. Aquela frase ainda em sua mente, "Eu voltarei...”. Porque ele dissera falsas palavras? Era claro, ela sabia, ela sentia... Ele não iria voltar... Sua maldição, seu destino, não o deixariam voltar. Mas, a centelha de loucura se apagava lentamente, e a da esperança ia crescendo dentro de si. Iria esperar. Por mais que sua maldição a adoecesse, a impedisse, ela estaria ali, naquela mesma árvore, naquela mesma posição, esperando. Por horas, por dias, por semanas, por meses, por anos... Por séculos.

"Bela Adormecida... Porque choras?", aquela voz ecoou no vento, "O que perdura sua mente? Ele não voltou? Estará preso na batalha eterna? Ou seu corpo jaz em algum lugar escuro? Diga-me, ó Bela Adormecida, o que te afliges? Sabes que não ficarás sozinha... Viverás eternamente, sabes disso.”.
Sua mão apertou lentamente contra a casca da enorme árvore aonde se apoiara para esperar, não tirava os olhos do horizonte, esperando por um sinal do amado. A voz ainda ressoava, "Já faz quanto tempo que esperas? Anos? Sabes que ele não virá... Ainda teimas? Surpreendo-me ao ver suas feições... Não mudastes...”.Pequenas lágrimas formaram-se nos olhos azuis da moça ao ouvir aquelas palavras, ela sabia mesmo que ele não viria, mas então porque esperava? O que ganharia esperando? Mas a resposta não subia à tona, não vinha em seu coração... Ela apenas tinha certeza de que deveria esperar...
"Tens coragem...", uma espécie de sombra apareceu à sua frente, “... De esperar tanto... Mereces uma dádiva...", a sombra se aproximou o máximo que podia do rosto imóvel da jovem, “Suportastes o frio, a neve, a dor... a morte... Eis seu presente... eterno...", encostou seu longo e fino dedo na testa da jovem, e esta se sentiu desfalecer novamente, enquanto sentia uma dor estranha. Seus olhos se dirigiram até sua mão, e estes a viram ser absorvida... Estava se fundindo à planta. Estava virando um ser daquela floresta, imortal, poderia esperar para sempre, poderia viver em paz ao mesmo tempo, enquanto esperava.
"Serás eterna...", sussurrou a voz, "Esta floresta é sua... Não deixarás ninguém atrapalhar o que esperas... Teu alimento será o sangue daqueles que se atreverão a incomodar-te... Matarás... Não tema...".
A garota sentiu agora seus ombros e pescoço sumirem na árvore, assim como todo o resto de seu corpo, se sentia estranha, mas feliz, aceitaria seu destino, se pudesse esperá-lo... Esperou anos, anos por aquele que a salvaria de seus tormentos. De seu passado terrível, destruidor. Tivera que salvar-se sozinha daqueles que nunca a amaram. E não queria perder o primeiro ser que realmente sentira algo por ela. Com um silvo, a sombra sumira, deixando a jovem, agora uma criatura daquela floresta, a maldição nunca acabaria.

Os milhares de corpos se estendiam pela imensidão da agora escura e profunda floresta. Esqueletos de cavaleiros perdidos, de pessoas curiosas, e de viajantes estavam pendurados nos galhos das árvores. Poucos foram sortudos de ver a enorme árvore que ficava a alguns metros da saída, antes de serem mortos por algo desconhecido. Os que conseguiram sobreviver, ficaram loucos, dizendo que a árvore havia matado aquelas pessoas. Só conseguiam descrever um par de olhos arregalados surgiam do nada, e que garras atacavam os que se aproximavam demais. Poucos viram aquele corpo feminino desprender-se do tronco, ramos como veias para deixá-la ligada à planta, e despedaçar o corpo que pegara, pegando seu sangue, e largando o resto para as criaturas do lugar.

Mais pessoas se aproximavam. Não sabiam da maldição, das lendas, dos perigos. Tolos, não sabem que é proibido invadir lugares sagrados? Deixem a Maldição de a Bela Adormecida durar a eternidade em silêncio. Enquanto ela espera pelo seu amado, que a salvara de um passado trágico, embora seu futuro não fosse diferente agora. Mas, será que ela lembrava do que esperar? A maldição não a teria dominado por completo? - As pessoas se aproximavam - Será que agora ela não passava de uma criatura sedenta por sangue? - Os passos se tornavam mais altos - O silêncio.

"Não tenha medo...", sussurrou a voz no ar, próxima a enorme árvore, era o momento, "Não tenha medo...”. Um par de olhos arregalados se abriu rapidamente, observando o local, e assustando os que se aproximavam. Não... Talvez ela tenha se esquecido... Talvez agora sua única razão de viver... Seja matar...
"Não tenha medo...”.
:iconhikacheshire:
For my friends \o/!(Most of them aren't good in english, that's why is in portuguese ok?Someday I'll translate it!)

Enjoy!!
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